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vai, vem, vai, vem...

E há de chegar o dia em que olharei para estes textos e direi a plenos pulmões: Puta merda! Que coisa ridícula! Será que vai ser amanhã ou foi ontem e não percebi?

domingo, junho 12, 2005

Será que tenho um coração ou é só mais um problema mental mesmo?

Adoradas Leitoras,
deveria estar dormindo agora. Deveria ter escrito mais umas 5 páginas da monografia, mas só saiu uma). Deveria ter saído ontem para encher a cara. Deveria ter corrido hoje na praia, para voltar a treinar sério. É fato. Deveria ter feito isso tudo, mas não fiz. Então, já que estou aqui vou continuar para organizar meus pensamentos de uma vez (é lógico que não vou conseguir, você ainda não percebeu isso? Se conseguisse, qual seria a graça de escrever?!).
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Esse post está sendo motivado por um filme que acabei de ver no telecine: "Brilho eterno numa mente sem lembranças". Para alguns, o que vou dizer vai parecer um sacrilégio, mas este filme foi o melhor que vi nestes últimos anos, superando, com certeza, o filmaço que me fez ficar, ontem, acordado das 10 as 3 da manhã: "O Poderoso Chefão 1 e 2". Talvez o filme só tenha um grande concorrente: "Sweet November". O que está acontecendo comigo? Como eu fui dizer isso? Tá, ok, é verdade, então não tem jeito. Aliás, esse fim-de-semana foi só de filmaços. Ainda teve o "Pacto dos Lobos" (um filme francês, tipo hollywoodiano, que me traz muitas memórias, de um passado que hoje me faz sorrir).
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Memória, realmente é sobre isso que quero falar. Tanto "o brilho eterno", quanto o "sweet november" e o "pacto dos lobos" me fizeram lembrar de algo que por muito tempo quis esquecer. Bom, na verdade, no começo tinha medo de esquecer. Era muito tempo na minha vida. Mais do que isso, era uma parte de mim, da qual não era possivel me separar enquanto não tivesse para onde ir. Porém, quando as esperanças deram sinal de que não durariam, e algum tempo passou, fui forçado a criar uma nova parte, sozinho, para que pudesse tentar extirpar o passado. O medo de esquecer foi transformado na vontade de eliminar lembranças, de torná-las as piores possível, afinal, se não era para ser, por que então guardar algo que pudesse me querer ter tudo novamente. Se algo tinha que ser destruído, que fossem as partes boas, para evitar que a sensação ruim do "não ter" ressucitasse após uma morte natural, que chegaria com o passar do tempo. substituído por um certo tipo de revolta e a tentativa de apagar qualquer coisa que pudesse me lembrar.
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É estranho, mas vendo este filme, agora a pouco, percebi que realmente não queria ter esquecido tudo, e foi isso o que aconteceu, muitas das memórias ainda estão lá, escondidas no meu cérebro, por mais que eu nem pensasse nelas. Viagens, brigas, pequenas aventuras, momentos da lei de murphy e até o marasmo. Estranho... lembro do primeiro dia, do dia anterior, do calor, da praia, do nervosismo, "talvez", cor-de-rosa, "a senha", aparelho, "biscoito", banho, chão, "piscina e bolo", minha cara de criança, alanis (eu odiava), the sims, eternity, livros que caiam da prateleira, andar a pé, de bicicleta, porteiros, velas, farofa, cozinhar (e comer os ingredientes antes), brigas pela saúde, dor de cabeça, séries da sony, Loo, "relações públicas", vestido de formatura... bom, acho que poderia passar a noite enumerando essas lembranças. Tenho até algumas poucas páginas de uma vã tentativa de passar para o papel tudo o que tinha se passado. Mas não, por maior que fosse o medo de perder, não ia valer a pena, seria simplesmente desperdiçar o futuro para guardar algo que não voltaria a existir. Poderia me lembrar daquilo na hora que quisesse, é verdade. Mas qual teria sido então o valor de relembrar algo sozinho? Qual seria a graça de rir de algo do passado, sem ter com quem continuar no futuro? Não, essa realmente não seria uma solução sábia.
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Este filme me fez lembrar de coisas latentes na minha cabeça. No começo até pensei em mudar de canal e ver algum filme de pancadaria, ou alguma série qua não fosse "mas about you" (não sei bem o porque, mas desde o tempo em que vivia o que hoje são lembranças, sempre achei que esta série refletia bem o modo que tudo ocorria... bom, nunca tive a concordância da outra parte a respeito desta opinião... mas fazer o que? Eu achava Alanis depressiva demais para o meu gosto. Engenheiros e Raimundos sempre foram mais legal...) .
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Não mudei e percebi que ocorria comigo algo semelhante ao do filme... não, não tem nada a ver a ir apagar a memória. Quero dizer que assim como no filme, quando se olha para trás e se pensa em alguma coisa que magoava, as memórias que vêm à tona são as boas. Isso era realmente o problema, pois, como seria possível deixar uma mágoa de lado enquanto as lembranças são aquelas boas? Não quero dizer que as brigas deixem de existir, mas elas passsam a ter um gosto diferente, ainda mais porque sempre foram resolvidas no mesmo dia, não importando o que fosse.
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Bom, mas não tem jeito. As coisas mudam, as pessoas mudam, o tempo muda, dúvidas aparecem e o clima fecha, ou pior, esfria. E algumas semanas neste inverno são capazes de congelar qualquer líquido incandescente, inclusive uma débil chama, talvez de uma vela de canela. O que resta? Umas lembranças. Fotos são poucas. Máquinas digitais não estavam na moda, nem era comum tirar fotos do dia a dia.
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Quanto às lembranças, aí é que está. Elas servem para repensar tudo o que aconteceu, como num treinamento mental, para não repetir os mesmos erros. E olhando para elas fica claro que tudo poderia ter sido diferente. É lógico que foram bobagens o que separou. Mas agora já não importa mais, eu acho. Minha preocupação não é mais com a pessoa, mas com o relacionamento. talvez tenha errado uma vez, ao não perceber que tudo sempre tem um jeito (inclusive a morte, antes que você pense neste contra-argumento, mas isso é assunto pra outro post). Talvez tenha faltado olhar rapidamente para as memórias e ver que valia a pena. Mas seria muita ingenuidade acreditar que seria possível olhar para o passado num momento tão recente aos acontecimentos. Ainda não havia passado tempo o bastante para deixar a ficha cair e imaginar que aquilo era passado.
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Não me arrependo nem poderia, porque se escrevo algo assim hoje, foi porque vivi tudo isso após ter participado da tomada de decisão. Meu comportamento e novas experiências, certamente participaram nesta elucidação de problemas antigos. Se não tivesse concordado, tudo seria diferente, mas não necessariamente melhor, pois minha cabeça ainda seria a mesma do passado.
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Bom... fico feliz em perceber que este erro não será cometido novamente, não mesmo. É lógico que ainda tem uma infinidade de coisas novas para errar, mas se não forem as mesmas, já é um bom começo.
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Acho melhor ir dormir agora. Vou aproveitar que ainda estou satisfeito com as minhas respostas para as dúvidas que vieram à minha cabeça. Talvez amanhã tudo se mostre diferente e eu venha a "desdizer tudo aquilo o que disse antes", mas (embora já seja um clichê): "Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante".

música? que tal, "someday we´ll know"...

4 Comments:

At 13/6/05 1:40 AM, Anonymous Anônimo said...

Muitas vezes não é o erro ou a falta de percepção momentânea que leva ao fim de algo, mas, sim, a pura fatalidade. tentar esquecer tudo o que houve de bom é uma arma para que a dor passe depressa. Quando é percebido que essa dor passou, recuperar as lembranças é prazeroso. Mas desde de que a pessoa não se culpe pelo fim e sim entenda que tinha que ser dessa forma. O texto foi ótimo, acho que essa situação já aconteceu com todo mundo! bjss, Marina

 
At 13/6/05 12:35 PM, Blogger Bad Wolf said...

Uau, quase um resumo em poucas linhas. A história é longa e veio meio que "out of the blue". Talvez por causa de um filme.
Valeu pelo comentário.

 
At 13/6/05 12:39 PM, Blogger Bad Wolf said...

Mas tem uma coisa: jamais aceitarei algo acontecendo porque "tinha que ser assim"... se a situação for adversa, esta idéia mostra puro conformismo.

 
At 13/6/05 10:58 PM, Anonymous Anônimo said...

Hm... n sei, lembranças são uma merda! hehe
Não, td bem... não são uma merda de todo, mas eu acho que preferia arquivá-las em algum lugar de onde elas não pulassem repentinamente.
E ps: adoro essa música... mto, mto.
bjs

 

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