Bem devagar...
Agindo racionalmente, não faria muito sentido acreditar que tenha futuro, mas... mas... mas... não adianta tentar convencer alguém que não tem a menor intenção de mudar de idéia. Para todo problema que se revela, são apenas dois (bem grandes), surge um plano de ação capaz de minimizá-lo.
O primeiro definitivamente pode ser vencido... basta pagar pela minha língua ao dizer que nunca me ocorreria a situção de ter que atravessar a ponte. De fato, não tenho, mas, definitivamente não dá para ir a pé. As reservas petrolíferas vão durar pelo menos até 2050, sem falar da possibilidade de biocombustíveis. Está safo!
Porém, se fosse fácil não teria graça... eis que surge uma dificuldade incomparavelmente maior: uma relação familiar perfeitamente normal (empiricamente só posso concluir que a calma na casa deste que vos escreve deve ser o desvio da reta, portanto, a anormalidade), que forçou um amadurecimento mais rápido, um pouco incompleto, e a opção/necessidade de vínculos que parecem ter caducado e que em algum momento precisarão ser rompidos. Mas ainda é cedo para saber se, quando ou como ocorrerão.
Da mesma forma também seria cedo para se preocupar com o segundo problema, mas algo está diferente. Em particular, está indo bem demais para ser verdade (prepare o pote de superbonder, porque a aposta é alta). Porem, por mais unusual que pareça, foi a primeira vez que a seguinte frase me veio à cabeça: "cara, eu estou vivendo!" certamente seria injusto acreditar que todos os outros dias não foram também viver, mas esses estão bastante diferentes. Podem ser apenas as "histórias para contar para os seus netos", ou mais importantes, aquelas para contar para si mesmo: alguns dias para lembrar dos seus 22 anos.
Tudo está tranqüilo demais, a ponto de gerar algum receio. A grande aposta do ano passado deu certo; não há mais porque procurar enlouquecidamente por um concurso para o BACEN, BNDES, Petrobras... é só esperar... mas na prática, sempre fica a dúvida: e se der errado? Plano B, C, D... Estavam planejados, mas parecem que estão furando. A diversão acadêmica não estava trazendo sorrisos; a outra pós parece que não vai atingir o número mínimo de clientes (digo, alunos); descobri que meu cérebro é incapazde aprender duas línguas novas simultaneamente;
Muitas opções parecem ter ido pelo ralo, mas certamente restam duas: as finanças e continuar estudando o que mais me agrada. Não contam bem como uma alternativa, mas potencializam ganhos caso tudo continue seguindo o percusro mais provável.
Depois desse ajuste na minha própria mente a respeito do que fazer este ano, pode-se voltar aos momentos memoráveis dos 22 anos. Parece bem razoável que essa situação atípica esteja sendo meio que um momento para colher parte do investimento feito desde pequeno, bastante intensificado ano passado, que deve dar frutos para toda a vida. Não seria um ano sem compromissos (longe disso!), mas com foco maior em atividades não ortodoxas, também necessárias para se perceber que está vivendo.
Provavelmente o agregado destas atividades, somado às pequenas mudanças na forma de agir que já vinham se processando desde a primeira "ex" tenham começado a dar algum fruto. Mas como um pouco de cautela nunca é demais, acho melhor também levar um pouco de durepox comigo.
Melhor pular a parte das qualidades. Está implícito que existem, pois um ateu hedonista não acredita em sofrimento como forma de atingir um plano superior. Mas o nariz... e aquele piercing...
Ps: meio decepcionante o show do Evanescence. Parece que foram lá só para finalizar a volta pelo Brasil... ou talvez tenha sido por causa das garotas que berravam atrás da minha cabeça. Creio que não tenham sido avisadas que não havia vagas abertas para vocalista. Sem microfones conseguiam vencer as caixas de som!
Música: bem bonitinha... deve ser culpa da febre...
Bem Devagar - Caetano Veloso
(composição: Gilberto Gil)
Sem correr
Bem devagar
A felicidade voltou para mim
Sem perceber
Sem suspeitar
O meu coração deixou você surgir
E como o despertar depois de um sonho mau
Eu vi o amor sorrindo em seu olhar
E a beleza da ternura de sentir você
Chegou sem correr
Bem devagar
Amor velho que se perde
Sai correndo para outro ninho
Amor novo que se ganha
Vem sem pressa, vem mansinho
